SÉ VELHA - A Catedral de Santa Maria de Coimbra. “Santuário Mariano de Coimbra: Uma Devoção, Uma Dedicação, Um Apelo “

SÉ VELHA - A Catedral de Santa Maria de Coimbra. “Santuário Mariano de Coimbra: Uma Devoção, Uma Dedicação, Um Apelo “

Versão para impressão

1.

Numa postura de Amor e dedicação, a primeira palavra dirige-se para a Padroeira desta Catedral, Santa Maria de Coimbra, em Evocação e Veneração da Mãe de Deus, Rainha dos Céus e protetora de Coimbra, e desta Catedral onde, desde há mais de nove séculos, exerce o seu padroado.


Em rápida visão diacrónica, vislumbramos o painel temporal deste templo marcado pelo destaque da sua intervenção religiosa, de âmbito diocesano e do Reino, bem como a intervenção cívica enquanto sede real de um reino em formação.


As forças da sua resistência mantiveram-na de pé; firme, serviu de apoio a gerações  episcopais, acolheu comunidades cristãs e mostrou ao futuro todo o poder salvífico da  mensagem de Cristo.  E ainda que mal tratada, silenciada ou perante quem a amava ou a odiava, hoje como ontem, sobre as opções humanas e perecíveis, impor-se-á na defesa os valores intemporais da Santa Madre Igreja. Mantém-se sonora a sua voz; renasceu sempre com vigor redobrado para dar luz ao mundo; tronou-se eco distante e grito presente na nossa vida do quotidiano intemporal desde o séculos XII ao século XXI.


No seu percurso temporal, a vetusta catedral foi envolvida por diferentes auras matinais que os fenómenos sociais e políticos faziam levantar. Em todos eles, a Catedral sustentou o baluarte da vitória e traçou os rumos do futuro. Foi o que, de novo, aconteceu recentemente: depois de uma passagem pela penumbra do silêncio em que a igreja (também a diocesana) viveu enfeudada e subjugada aos poderes temporais por 130 anos, do último quarteirão do século XVIII ao primeiro do século XX, a Sé Catedral de Coimbra reacendeu a sua luz orientadora e viu ser reposta a sua dignidade com a nova sagração em 1934 e instituição canónica do culto próprio de Igreja-Mãe diocesana, outorgado pelo vaticano, mantendo o padroado pela Virgem Santa Maria de Coimbra e se afirma como Santuário Mariano. Foi nesta qualidade que, em Outubro de 2013 a Sé Velha de Coimbra foi convidada pelo Vaticano a estar presente - e se fez representar- em Roma nas jornadas mundiais marianas, e onde, sob a égide papal e de Nossa Senhora de Fátima, as congregações e santuários marianos de todo o mundo foram visitadas e abençoadas pela Virgem Maria, cuja imagem, especificamente e a pedido do Papa Francisco, foi deslocada da Cova da Iria até ao Vaticano para presidir a este encontro.


2.

É esta lgreja-mãe da Diocese de Coimbra, única que foi levantada e revestida com observância rigorosa dos cânones catedralícios; consolidação física do edifício; condições e práticas eclesiais necessárias e adequadas à administração da diocese. E mesmo quando sujeita às humanas intervenções adversas, foi contra o seu silêncio que brotaram clamores da resistência e contestação de comodismos desajustados de uma poder político que a despeitava. Era o acordar de uma razão obnubilada mas que o tempo acabaria   por fazer chegar à tona de água: para lá da trasitoriedade de comportamentos dos humanos, reafirmou-se a perenidade da razão de ser da sua missão original, numa verdade repetidamente proclamada por Roma e assumida por quantos tiveram assento na cadeira episcopal desde iníco do séc. XX. Até aos nossos dias, a Sé Velha, Igreja - Mãe de Coimbra, pela Comunidade cristã, é vista revestida do múnus para que foi edificada.


3.

É pois, enquanto Igreja - Mãe congregadora da Família Cristã Diocesana que, num simile feliz e oportuno, recebe por orago e fica institucionalizada sob o padroado da Virgem Maria, a Mãe da Igreja, e fica identificada como Igreja de Santa Maria de Coimbra. Ela que é a mãe de Deus feito Homem, mantém a sua presença no mundo como Fonte de Vida eterna e Mãe da Igreja. Daí que, enquanto sedes episcopais e centros de orientação diocesana, as catedrais sejam, no geral, colocadas sob o padroado de Nossa Senhora enquanto Fonte de vida espiritual: a Mãe de Deus.


A Velha Catedral de Coimbra continua hoje, como ontem, a ser reconhecida pelo Vaticano e a ostentar-se como bastião zelador do culto mariano. A Santa Sé reafirmou, assim, o reconhecimento da Virgem Maria como Protetora e Mãe da Igreja. E deu nova vida à presença da Virgem Maria nas sedes episcopais, como centros marianos. E será daí que, na comunidade cristã diocesana e sob a proteção do Seu manto, a intervenção episcopal há-de cobrir os caminhos de uma Nova Evangelização.


António Jorge da Silva

Quinta, 26 Fevereiro 2015 17:49