928 ANOS DO CABIDO DA CATEDRAL DE COIMBRA

928 ANOS DO CABIDO DA CATEDRAL DE COIMBRA

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O cabido da Catedral é uma entidade canónica com personalidade jurídica própria criada para promover na igreja Catedral um culto mais solene e é também um órgão de administração eclesiástica diocesana. Só pode ser erecto, inovado ou suprimido pela Santa Sé. As suas funções repartiam-se por: cantar diariamente no coro, a missa e as horas canónicas, desenvolver e apoiar uma escola de ensino em vários níveis, administrar os bens capitulares, assistir ao bispo quando celebra de pontifical, dar parecer ou consentimento em muitos actos da administração diocesana, substituir o bispo quando a Sé está vaga.


O nosso projecto de dignificação da Catedral de Coimbra não podia ignorar o Cabido (pois não há Cabido sem Catedral nem Catedral dignificada sem Cabido), criado em 1086 (13 de Abril) pelo bispo D. Paterno e pelo governador D.Sesnando. Por se tratar da instituição venerável e respeitável com um passado comum com a Sé merece o maior respeito.


Na primeira fase, a intervenção do Cabido foi notável e bem cedo conquistou e bem mereceu, o apoio das gentes em dádivas e heranças ou legados. Nesta primeira fase dele surgiram os fundadores de Santa Cruz que em boa hora criaram o mosteiro que brilhou por muitos séculos e sobrevive como igreja paroquial e Panteão Nacional.


Entretanto deu-se a primeira grande provação em 1117. Uma incursão mourisca militar entra na cidade quando a população se encontrava a trabalhar nas várzeas. As portas estavam abertas e a proteção da cidade tinha saído para ajudar noutro lugar.


O castelo ainda resistiu mas a cidade ficou arruinada com muitos mortos e destruições entre as quais a velha Sé e as casas do Cabido. Sem Catedral, a diocese volta-se para as ruinas e nelas descobre energias para a reconstrução de uma nova igreja.


Ninguém sugeriu ocupar qualquer outra igreja como nova Catedral. E durante 30 anos a Catedral de Coimbra foi honrada e respeitada nas suas próprias ruinas. O Cabido teve neste período a oportunidade de mostrar a sua dedicação à Igreja, tanto na preparação como na execução de obras de inegável valor artístico e litúrgico. A Sé Velha ressurgiu nova e esplendorosa.


O rei D. Afonso aprovou o projecto, e movimentou os contactos diplomáticos para convidar artistas europeus qualificados e dotou a nova igreja de joias de grande preço e valores para apoiar a construção. O Bispo D. Miguel Salomão empenhou-se em angariar meios e condições favoráveis para que não faltassem á nova igreja segurança, beleza, e dignidade catedralicia. Dinamizou, naturalmente com a colaboração do cabido e do povo, a tarefa de recolher as vultuosas quantias que foi preciso mobilizar para tal preciosa construção. De facto, ao Cabido coube, parte grande nesta edificação. No texto que dá conta minuciosa das dádivas episcopais, que foram muitas e valiosas, não menciona nenhum especial envolvimento do bispo nas obras. Aliás, o cabido, diretamente atingido na razia demolidora dos mouros, tinha razões de sobra para se empenhar nelas também.


Nesta tarefa o Cabido ganhou as melhores honras e benevolências como construtor da admirável casa de Deus, monumento Nacional, de facto e de direito.


Durante mais de 6 séculos a vida do Cabido e desta Catedral caminharam a par. Em 2 períodos de sede vacante (1646 - 1666 e 1717 – 1739) o Cabido assumiu o governo da Diocese e ganhou prestígio. Tornou-se uma instituição forte, rica e poderosa.


Como todas as instituições humanas foi também sujeito a muito duras provas, mas ainda vive e pode ainda prestar ótimos serviços.


Mons. João Evangelista Ribeiro Jorge

Sábado, 05 Abril 2014 11:25