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Horário das Missas

Segunda a Sexta - 18 H

Sábado - 19 H

Domingo - 10 H


 

" Sé Velha, o lugar mais carregado de significado espiritual e eclesial em toda a nossa cidade e diocese de Coimbra. O facto de ter sido consagrada como Igreja Mãe e dedicada a Santa Maria de Coimbra sintetiza a teologia acerca da relação indissociável entre Maria e a Igreja, a Mulher e Mãe e o Povo de Deus ou Povo de Filhos. " (08/12/2015)


D. Virgílio do Nascimento Antunes, Bispo de Coimbra

 

Atendimento Paroquial (Cartório Paroquial)

De Segunda a Sexta, da 10 h - 12 h e das 14:30 h - 18:00 h.


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A Sé Velha é uma igreja aberta ao Culto e ao Turismo.
Nesta Catedral está sediada a comunidade paroquial católica de São Cristóvão, da Diocese de Coimbra, desde início do séc XIX, com a missão de zelar pela sua conservação e nela manter a prática do culto.
A Sé Velha de Coimbra é um dos edifícios em estilo românico mais importantes de Portugal.



 

Old Cathedral of Coimbra

Old Cathedral of Coimbra

PORTUGAL TERRA DE SANTA MARIA

PORTUGAL TERRA DE SANTA MARIA

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Santa Maria de Coimbra (Imaculada Conceição) - 1.ª Capela em honra da Imaculada Conceição Vila Viçosa - Santuário do Sameiro (1863) - Santuário de Fátima (Coração Imaculado de Maria).


Desde a medievalidade que o culto à Virgem é uma realidade. Porém a questão não era consensual dentro da igreja existindo correntes doutrinárias como a escola tomista (sobretudo dominicanos) que levantavam algumas dúvidas sobre se a concepção da Virgem teria sido em pecado ou não. João Duns Escolto, apoiado pelos franciscanos, defendeu a ideia de que Maria teria sido preservada de qualquer “mancha” no momento da sua própria concepção devido aos méritos do seu divino Filho. Rebate assim a tese de que Maria não poderia ser excluída da universalidade do pecado original. Tona-se interessante verificar que as ideias defendidas por Duns Escoto e pelos franciscanos encontraram uma enorme aceitação no campo da intelectualidade, Universidades como a de Oxford, Paris e Coimbra desde cedo acarinharam o culto da Imaculada Conceição, concedendo-lhe um lugar central nas cerimónias e ritos estudantis.

A observância deste culto, que como dissemos, encontra raízes na época medieval, apenas será sancionado pelo Vaticano a 8 de Dezembro de 1854, quando o Papa Pio IX através da bula Ineffabilis Deus a reconhece como verdade da fé católica. Porém, note-se, que as alusões à Imaculada Conceição desde o Genesis até ao Apocalipse, eram uma realidade nas Sagradas Escrituras muito antes do século XIX. A devoção à Imaculada Conceição surgiu no Oriente médio como movimento popular. Em Portugal a devoção à Imaculada Conceição também encontrou junto da população e das forças vivas da sociedade uma aceitação inquestionável desde os primórdios da nacionalidade. João Duns de Escoto que desde cedo defendeu que Maria foi escolhida para ser Mãe do Verbo Incarnado, saiu vencedor da querela doutrinária surgida no seio da Igreja.

Portugal, desde muito cedo mostrou um enorme carinho pelo culto da Imaculada Conceição, prova-o à saciedade o facto incontornável de D. João IV ter a 25 de Março de 1646 consagrado a Nação Portuguesa à Imaculada Conceição, tornando-a assim ad eternum Rainha e Padroeira de Portugal. Ora, tal entronização não pode ter saído do nada, o que sugere que o culto da Imaculada Conceição já se fazia há muito tempo no nosso país.

Dizem-nos os escritos antigos (Frei Luís Brandão) que a Ordem de Santa Cruz foi das que mais contribuiu para a divulgação do culto em Portugal, empenho que resultou no epíteto de «Terra de Santa Maria» tantas vezes atribuído ao nosso país. De facto, na cidade de Coimbra, os Crúzios e a Sé catedral assumiram-se como baluartes da fé na defesa deste culto, o qual alastrou à Universidade de Coimbra, conferindo-lhe um importante papel nas suas ritualizações e cerimónias estudantis.

Em Portugal, a referência mais antiga de que dispomos relativamente ao culto prestado à Imaculada Conceição remonta a D. Afonso Henriques, que aquando da conquista de Lisboa (1147) e talvez motivado pela influência de alguns cruzados ingleses, entre os quais se destacava D. Gilberto (mais tarde 1º Bispo de Lisboa), celebrou a conquista da cidade de Lisboa aos Mouros a 8 de Dezembro de 1147. Em sinal de gratidão, Afonso Henriques terá oferecido ao Mosteiro de São Vicente de Fora uma imagem de Nossa Senhora, chamada como “Conceição da Enfermaria”, responsável pela saúde e cura dos enfermos. Diga-se que o culto da Imaculada Conceição era muito conhecido no Oriente.

O documento mais antigo existente em Portugal relativo à instituição do culto da Imaculada Conceição remonta ao século XIV (1320), e à cidade de Coimbra. Uma constituição assinada pelo Bispo Raimundo Evrard a 17 de Outubro de 1320, institui o culto em Portugal. Foi a partir de Coimbra, e da sua Catedral (hoje conhecida por Sé Velha) que o dogma da Imaculada Conceição irradiou em Portugal. António de Vasconcelos informa-nos que Raimundo Evrard era originário de França, país onde o culto da Imaculada Conceição estava já muito desenvolvido sendo fortemente apoiado pela Universidade de Paris, não sendo por isso de estranhar que tenha sido este bispo quem instituiu este culto mariano em Portugal. Também não é de excluir a participação activa da Rainha Santa Isabel neste processo, talvez influenciada pela sua dama de corte Vataça Lascaris, uma Princesa Bizantina (que se encontra sepultada na Catedral conimbricense) que por certo já havia estado em contacto com o culto da Imaculada Conceição no Oriente de onde era originária. Esta tríade constituida por Raimundo Evrard, Rainha Santa Isabel e Vetaça Lascaris foi sem dúvida determinante para a afirmação do culto da Imaculada Conceição na Sé de Coimbra, funcionando esta como centro irradiador imprescindível em todo o processo. Mais uma vez a Sé de Coimbra assumia-se como um importante sustentáculo da Fé.

No século XV, Vila Viçosa, foi a primeira localidade portuguesa com uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição, mandada erigir pela devoção de D. Nuno Álvares Pereira à Virgem. As Armas de Vila Viçosa ostentam ao centro a imagem de Nossa Senhora da Conceição. O orago do município é Nossa Senhora da Conceição e o feriado municipal acontece a 8 de Dezembro.

Aquando do juramento de D. João IV, em que este consagra a Nossa Senhora da Conceição o reino de Portugal, declarou este monarca que o culto vinha desde Afonso Henriques, defendendo também a concepção da Virgem Maria sem pecado. A partir de 1646 os reis de Portugal em solenidades e actos oficiais nunca mais colocaram a coroa na cabeça, mas sim numa almofada ao seu lado. Na Universidade de Coimbra o regozijo por Nossa Senhora da Conceição ser declarada rainha de Portugal foi enorme, na capela da Universidade foi mesmo descerrada uma lápide a assinalar o evento e os paramentos utilizados na festa de Nossa Senhora da Conceição eram azuis. Lentes e estudantes da Universidade eram obrigados a fazer um juramento sobre a defesa do culto da Imaculada Conceição, faziam uma profissão de fé. Este juramento perdurou até à sua proclamação como dogma pelo Papa. A confirmação de Roma sobre a eleição de Nossa Senhora da Conceição como Rainha e Padroeira de Portugal acontece em 1671, depois do reatamento das relações diplomáticas com a Santa Sé. Foi Clemente X quem promulgou o breve Eximia dilectissimi, em que proclama e aceita a Nossa Senhora da Conceição como padroeira do Reino de Portugal. Mais tarde em 1854, D. João VI fundou a Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição, com sede em Vila Viçosa. Em 1648, reinado de D. João IV, o monarca ordenou a cunhagem de moedas comemorativas de 12 000 reis e 6 tostões, que foram designadas por “Conceição”.

Rapidamente o culto irradiou por toda a Europa tornando-se um traço de União entre a cristandade. Em 1953, o Papa Pio XII apresentou a encíclica Fulgens Corona que constitui um repositório de textos sagrados referentes à pureza da Imaculada Conceição.

Em Portugal a imagem de Nossa Senhora da Conceição aparece sobretudo sem o menino jesus, mas no Oriente aparece sobretudo com o menino jesus ao colo.

A natureza imaculada da Virgem Maria foi declarada dogma em 1854 pelo Papa Pio IX. Em 1996 o Papa João Paulo II enviou uma carta ao Arcebispo de Évora a propósito da peregrinação nacional ao Santuário de Vila Viçosa em que refere que o culto da Imaculada Conceição em Portugal vem desde o tempo de D. Afonso Henriques, carta que serve também para relembrar a importância da Sé de Coimbra e de D. João IV na difusão e irradiação do culto por todo o território português.


Diogo Manuel Valente Ribas

Joel Gonçalves Sabino

Coimbra, 4 de Dezembro de 2013

Quarta, 04 Dezembro 2013 17:40